
Parece que a cada esquina, em cada corredor, a cada virada, nós vamos novamente nos encontrar. Não sei que sensação é essa que me envolve - e não me move -, e não quer passar. Não é somente impressão. É real, é sentimento.
A vontade incessante de que cada rosto possa me trazer um pouco de você. Estamos tão longe, e te sinto tão acerca, tão absorto em mim. Mas essa sensação não é de vazio. É completa, e também complexa. Eu quero poder escrever páginas e mais páginas. Pensar ainda mais em você, como uma surrealidade. É no mínimo perturbardor. Quero o mesmo ritmo frenético do meu coração. O mesmo descompasso desses derradeiros dias. A mesma intensidade do meu descontrole. Do desconcerto. Da falta de antecedentes e de referência.
E eu continuo a tentar preparar (reparar, ou até forjar) situações que nos façam desencontrar propositadamente. E que me traga ao coração aquele velho descompasso passional. É essa sede inevitável por um desencontro. Um luar, umas estrelas e um céu - qualquer cenário súbito. Por fim, existem referências: cheiros, sorrisos específicos, comportamentos, até a falta de compromisso.
Com ou sem antecedentes ou referências, o que interessa é que estaremos sempre despreparados para qualquer coisa subitamente passional. Sorrisos e atitudes não somente despreparados, mas desnecessários, a cada virada e desencontro: despreparados pelas esquinas, nos corredorres; multidões ou poucos rostos.
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