
"Estou indo embora"... e me vem à cabeça: pra onde? Eu penso que ir embora pode ter várias conotações. Ei, o mundo não é tão grande assim. Ainda mais porque tenho lido que os acasos são donos dos encontros. O amor, por exemplo, pode ser fruto desse acaso - os pássaros pousando nos ombros. Que uma mera coincidência foi a convergência de vários acasos. Do repente, fez-se uma obra do amor.
E o que mais me vem à cabeça? Não é tão difícil ser surpreendente, e acompanhar esses pássaros de ombro em ombro. As esquinas guardam às sombras as mais variadas surpresas. E que os lagos reservam superfícies suficientemente sólidas para nos impulsionarem ainda mais fundo. Que ir embora vem sendo o mesmo que deixar a vida. E quantas incontáveis vezes se refaz tal pensamento cotidianamente...
"Eu deixo a vida como deixo o tédio
Do deserto o poento caminheiro
- Como as horas de um nobre pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;"
(Álvares de Azevedo)
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