quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

desejos e identidades; vontades e arrependimentos

E o lago negro escondido pela neblina alva e fria volta a assombrar-me. Eu tento atravessá-lo, mas o desejo súbito de imergir é incontrolável - penso que poucas coisas mudaram. Nessas horas a ansiedade parece sumir, e volta e meia a tristeza se torna emergente e generalizada. Já não tenho outras vontades, tudo é deserto e sem importância. A única vontade que se instala é a de querer dormir e não acordar. De dizer "não". De nunca mais poder se olhar no espelho. Vontade não mais me arrepender.

...

Ao passo que eu já reconheço meu corpo, ele vai ficando irresistivelmente transparente. Já não vejo minha alma - meu corpo menos ainda. É a mistura de identidades, ou a falta de todas elas, e o surgimento incomum de uma mais extraordinária (surpreendente talvez...). Identidades cada vez mais nocivas, de erros cada vez mais irreparáveis. De falhas irrevogáveis. Quero voltar a me defender de mim mesma. Essa alma barata, mesquinha e impertinente. Defender-me deste coração saltitante. De esperas demasiadas. De esperas inconcluíveis.

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