sábado, 20 de outubro de 2007

símbolo


Caros superiores, obrigado. Por fazerem meu ser chorar e sorrir tão paradoxalmente. Por me largarem na estrada da solidão e da determinação. Pelos ensinamentos, em principal nesta fase da vida: andar com as próprias pernas. Sou muito grata por insistirem em ser pérola – com todas as suas virtudes e defeitos, deixar-me levar pela escuridão que a assola. Mais uma vez obrigada, por se dirigirem socialmente e me sorrirem simbolicamente. Essa emoção enfatiza a tamanha hipocrisia inevitável ao ambiente – hipocrisia que também afeta meu ser ignorante (ou seria inocente?). Porém, sou em mesma proporção paradoxal, inevitável, simbólica e repugnante. Ainda assim, sinceramente, obrigada.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

angina


Oi. Muito prazer, voz aguda. Não precisa me ensurdercer com esse silêncio. Diante de todo esse velório de palavras e ausências não consigo evitar conclusões em precipício. Digo, precipitadas. Heterogêneas. Paradoxais. Diagnostico os casais – também em silêncio – diante daquela multidão emocionada. Assim como tal, engulo seco, e sorrio. A angina tornou-se comum, e a linearidade parecia impossível como tantas ilusões. Ei, dor fina, diz-me. Desmente. Apaga a luz. Está escuro, mas não é tão tarde. Tarde para quê? Pelo quê? O sol se põe e nasce todos os dias. Mas, a voz fina, astuciosa, teima em lembrar. Ecoa como tantas outras vozes agudas. Só queria mais sussurros. Menos arestas pontiagudas e anginas mais amenas.