quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

dúvida


Pensei. Parei. Pesei.
Rosa-choque? Verde-limão?
Na dúvida, os dois? Nenhum?
Indecisão.
Gaiola, terreiro?
Solto, poleiro?

Ah, esses pintinhos de feira.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

uni (co) ver so


De tarde, de manhã, ou cedinho,
É somente névoa, sem violão, nem novidade.
Névoa de furacão, névoa de solidão.
Mas nenhuma me pega de verdade.
Nem canto, nem quarto, nem falo.

Lágrimas de orgulho do espinho?
Poucos sabem ser feliz.
Ainda bem que sei assobiar de antes,
Só o ar preenche o vazio.
E os universos estão distantes.

sábado, 17 de novembro de 2007

sessão extraordinária


A inércia do meu ser é paradoxal às minhas observações. Fico assim, estática - quase sempre -, ao passo que a minha vontade é registrar o movimento dos passageiros. Eu poderia chamá-los pedestres, mas eles são, unicamente, passageiros. Passageiros da vida, que carregam a passos curtos e lentos (desses sem muita pressa), sorrisos, tempo, paixão, aconchego. Ou, quem sabe carregam em si um momento solitário de ócio. Nada é congelado - só meus registros -, tudo é instantâneo. É extraordinário. E assim encerro mais uma sessão não menos extraordinária.

sábado, 10 de novembro de 2007

alguém


Para coçar o meu olho, enquanto minhas mãos estão sujas de alho.
Alguém que lave as minhas mãos, para eu poder acariciá-lo.

Alguém para dividir comigo minha dor de dente.
Para correr na praia num verão de noite quente.

Alguém que faça uma massagem nos meus pés antes de dormir.
Para dividir a água mineral - não o sorvete que eu pedi.

Alguém que prenda o meu cabelo quando eu estiver lavando o rosto.
Que tire o esmalte das minhas unhas, e passe creme no meu corpo.

Alguém que me faça rir até a barriga doer.
Que ao passar faça a minha atenção prender.

Alguém que olhe sério nos meus olhos e seja meu amigo.
E dizer para sempre o quanto gosta e se importa comigo.

Alguém que tenha uma mente livre - que é coisa rara.
Alguém que nunca me viu mas goste de mim logo de cara.

sábado, 20 de outubro de 2007

símbolo


Caros superiores, obrigado. Por fazerem meu ser chorar e sorrir tão paradoxalmente. Por me largarem na estrada da solidão e da determinação. Pelos ensinamentos, em principal nesta fase da vida: andar com as próprias pernas. Sou muito grata por insistirem em ser pérola – com todas as suas virtudes e defeitos, deixar-me levar pela escuridão que a assola. Mais uma vez obrigada, por se dirigirem socialmente e me sorrirem simbolicamente. Essa emoção enfatiza a tamanha hipocrisia inevitável ao ambiente – hipocrisia que também afeta meu ser ignorante (ou seria inocente?). Porém, sou em mesma proporção paradoxal, inevitável, simbólica e repugnante. Ainda assim, sinceramente, obrigada.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

angina


Oi. Muito prazer, voz aguda. Não precisa me ensurdercer com esse silêncio. Diante de todo esse velório de palavras e ausências não consigo evitar conclusões em precipício. Digo, precipitadas. Heterogêneas. Paradoxais. Diagnostico os casais – também em silêncio – diante daquela multidão emocionada. Assim como tal, engulo seco, e sorrio. A angina tornou-se comum, e a linearidade parecia impossível como tantas ilusões. Ei, dor fina, diz-me. Desmente. Apaga a luz. Está escuro, mas não é tão tarde. Tarde para quê? Pelo quê? O sol se põe e nasce todos os dias. Mas, a voz fina, astuciosa, teima em lembrar. Ecoa como tantas outras vozes agudas. Só queria mais sussurros. Menos arestas pontiagudas e anginas mais amenas.

domingo, 23 de setembro de 2007

expresso


Um objeto. Uma brisa. Qualquer sábado à noite. Ela evita sinais. Mas, sabe que não pode, não quer, não consegue. Ela apenas continua andando aleatoriamente, porém sempre distante – como as verdes águas – na beirinha da calçada. Só nunca descalça. Respira fundo como se procurasse substituir a essência impregnada de outrora. Como se procurasse outras lembranças cheirosas, fingindo funcionar. Queria muito partir. A poeira de mar encanta e desfaz. Sua vontade, sua coragem. Despe. Insiste. Quer ouvir, falar, escrever. Expressar-se mais que o expresso extra-cafeinado. Ela quer mesmo é pegar na estação o primeiro expresso – o mais rapidamente saboroso – e degustar mais uma vez: a cafeína e a viagem.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

entreaberta

Ô, menina. Verde. Ei, menina do sapato apertado, que cresce a alma na dor e no sofrimento. Me disseram que você é quem escolhe. Me ouça, você pode escolher, sim, sem medo. O que você leva nessa mala pesada? Ou seria alma pesada? Conheço essa alma. Cuidado com sua alma de passarinho. A porta da gaiola está aberta, e ele só espera os bons ventos. Mas será que o penado pode ser mais feliz? Por que mais por quês se já se firmou vencedor? Deixe de tantas interrogativas. Você é atrevido, é de prerrogativas. No samba, nos olhos, no elevador: mesmo ao lado da maioria mal-educada. Está mesmo é do lado da minoria. Deixe assim. A portinhola entreaberta.

sábado, 15 de setembro de 2007

clarão


Dia após dia. Uma grande espera. Sempre. E parecia que era pra sempre. Pareciam dois anjos num sonho. Depois continuou parecendo que era pra sempre. Juntos no pôr-do-sol que eles não viram, mas sentiram cada raio partindo. O céu límpido e risonho, de nuvens poucas, de muitos contrastes. Uma vez pediram para ela aumentar o contraste. Nunca deu ouvido. Mas, naquela hora, quando o sol já estava cansado – fizera sua parte o dia inteiro –, ela finalmente entendeu. A neblina de seu cansaço também se foi com os últimos raios. Para ela, tudo ficou mais claro, mesmo o astro-rei tendo se retirado honrosa e elegantemente como sempre fazia. E naquela tarde fora diferente. Ela, enfim, percebeu. O sentido. Os sentidos. Exacerbaram-se. Nunca mais será a mesma. Horas depois... Ou será que foram dias? Multidão que ela nem esperava. Não há nada a fazer. É forte demais para ela lutar. Ela se entregou à maçã do amor, aos churros crocantes – regados a muito doce de leite e açúcar – e à pipoca doce. Após uma caminhada tão observadora (e, no mínimo, calórica), nada como acordar. Porém, ela continuará sonhando docemente como déjà-vus, e chorando com as canções de sempre. Que seja pra sempre, e amém. Um amém também nunca fez tanto sentido.

domingo, 9 de setembro de 2007

tanto bate até que fura

Às vezes a gente desiste. Está cansado. Perdeu a hora, chegou atrasado. Ou até foi pontual, mas esqueceu de bater o ponto. E que diferença faz? Há tantos motivos para ir, vir, ficar. Um. Outro. Mas as pessoas querem mesmo ser surpreendidas. Serem felizes. Estarem alegres a ponto de chorar. Choram mesmo. Não se incomodam em demonstrar seus sentimentos. A sinceridade, para eles, é uma virtude. E tanto bate até que fura. O coração mais surpreso: será difícil avaliar. Por isso, permita-se e aproveite. Para ser mais sincero. Mais amigo. Mais amável – e amado! A vida traça as rotas mais especiais para que possamos estar no lugar e na hora certas – mesmo que atrasados. Foram alguns segundos, outros dias, muitos anos, para se entender como tudo funciona assim. Tudo tão simples, nada substitui os detalhes. Recolher-se em seu íntimo e viver cada chance é mais do que essencial. É transcendental. Não deixe de atender à campainha do coração: sim, àquelas pequeninas explosões, quando bate forte – e, às vezes, fura. Mas se resolveu ficar um pouco mais confortável no sofá (é domingo?) ou apertou novamente o “soneca”, tudo bem. Porque de um jeito ou de outro(s): tanto bate até que fura. E lembre-se: hoje será o único dia 08 de setembro de 2007 de nossas vidas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

primogênito

Em primeira mão, trago aqui uns versos. E mais um universo de coisas. Uni.versos. Versos únicos. A vulnerabilidade dos seres - animados ou não - me atrai em seus mínimos detalhes. Observação não somente sobre outros, mas principalmente o lírico. O eu-lírico. Da mais intensa nuance, ao mais pálido rabisco. Venham versos e universos. Venham cantos de alegria, ou de tristeza, vem Marisa, vem Adri. Pois aqui é meu cantinho de tristeza, minha brisa do mar, meu piado de pinto de feira colorido (aqueles rosa "chock"). Aqui seremos livres. Livre deste e neste universo ao meu redor.