Não vou mentir, mas eu esperava flores. E mais borboletas. Esperava um café, um vinho, quem sabe. Poderia vir acompanhado de chocolates, de biscoitinhos caseiros, ou puro mesmo. Venha puro, e a mais pura verdade. Mas, quem sabe? Continuamos sem saber, acho que nunca saberemos, porque a gente pensa demais nas circunstâncias, na realidade. Nas mentiras que nós mesmos criamos e acreditamos. Não vou mentir, mas venho morrendo por dentro. Todos os dias venho mentindo para mim mesma, e me convencendo de fatos que não estão ao meu alcance e de relatos que nunca encostei as mãos. (Isso, sim, é mentira. Não foram apenas as mãos, como também lábios, cheiros, cabelos, essa coisa de pele...)
É verdade, mas parece mentira. Foi como aconteceu, e acontece com tantos outros. Pode ser que não dure mais de três anos - esse é um prazo - , mas eu queria que durasse a vida inteira: as borboletas, as flores, e os chocolates, num único verso, um único universo.
sábado, 29 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
"seize the day"
Carpe diem. "Seize the day". Esse não é um conselho; é um lema. Uma regra fundamental, intrínseca. Uma diretriz, uma matriz: estilo de vida. Às vezes, nós mesmos nos aprisionamos às amarras da sociedade - não a dos poetas mortos, mas àquela que nos faz sucumbir aos próprios medos e anseios. Uma combinação bombástica de auto-compaixão e penalidade; de hipocrisia e incoveniência; de cobrança e apego. Sinto-me contra a maré, na minha posição mais clichê de escritora. Não, autora. Quero aproveitar para enfatizar minha posição como autora de minha própria história. Autora de personalidade livre. Autora de novos sonhos e (des)caminhos. Dessas que gosta de sair do convencional, e bater de frente - uma kamikaze, no seu sentido mais pejorativo e popular - isto é, que vive perigosamente por gostar de tornar tudo o que é simples, complexo. Reinventar. E que assim, aproveita o dia.
Cada dia.
Cada minuto, cada rosto, cada sonho.
Cada mentira, e cada gesto risonho.
A cada passo, descaso, enlaçe;
descompasso, cada caso um impasse.
Cada sombra, medo ou incerteza.
Peneiras, nuvens, impureza.
Cada brilho tem seu trilho: infortúnio.
Cada estrela, seu lugar no fim do túnel.
Cada dia.
Cada minuto, cada rosto, cada sonho.
Cada mentira, e cada gesto risonho.
A cada passo, descaso, enlaçe;
descompasso, cada caso um impasse.
Cada sombra, medo ou incerteza.
Peneiras, nuvens, impureza.
Cada brilho tem seu trilho: infortúnio.
Cada estrela, seu lugar no fim do túnel.
sábado, 22 de novembro de 2008
disfarce da esperança

"A esperança é a última que morre", já dizia o velho ditado. Deveria ser a última que 'corre'. E hoje eu corri. Na esperança, na descrença, na solidão. Na tentativa da falta de todos estes. Corri da esperança disfarçada de expectativa. Da ansiedade disfarçada de velocidade. Corri também para olhar o mar disfarçado de céu; ele confundido com o mar. Aos montes... E eu cada vez mais assustada com toda essa falta de novidade. Assim, continuo correndo. Não sei se pela falta de esperança, ou pelo seu eterno disfarce exagerado de expectativas; ou se pelo saudosismo do que já não me surpreende.
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