quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

desejos e identidades; vontades e arrependimentos

E o lago negro escondido pela neblina alva e fria volta a assombrar-me. Eu tento atravessá-lo, mas o desejo súbito de imergir é incontrolável - penso que poucas coisas mudaram. Nessas horas a ansiedade parece sumir, e volta e meia a tristeza se torna emergente e generalizada. Já não tenho outras vontades, tudo é deserto e sem importância. A única vontade que se instala é a de querer dormir e não acordar. De dizer "não". De nunca mais poder se olhar no espelho. Vontade não mais me arrepender.

...

Ao passo que eu já reconheço meu corpo, ele vai ficando irresistivelmente transparente. Já não vejo minha alma - meu corpo menos ainda. É a mistura de identidades, ou a falta de todas elas, e o surgimento incomum de uma mais extraordinária (surpreendente talvez...). Identidades cada vez mais nocivas, de erros cada vez mais irreparáveis. De falhas irrevogáveis. Quero voltar a me defender de mim mesma. Essa alma barata, mesquinha e impertinente. Defender-me deste coração saltitante. De esperas demasiadas. De esperas inconcluíveis.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

pra onde? e o que mais?


"Estou indo embora"... e me vem à cabeça: pra onde? Eu penso que ir embora pode ter várias conotações. Ei, o mundo não é tão grande assim. Ainda mais porque tenho lido que os acasos são donos dos encontros. O amor, por exemplo, pode ser fruto desse acaso - os pássaros pousando nos ombros. Que uma mera coincidência foi a convergência de vários acasos. Do repente, fez-se uma obra do amor.

E o que mais me vem à cabeça? Não é tão difícil ser surpreendente, e acompanhar esses pássaros de ombro em ombro. As esquinas guardam às sombras as mais variadas surpresas. E que os lagos reservam superfícies suficientemente sólidas para nos impulsionarem ainda mais fundo. Que ir embora vem sendo o mesmo que deixar a vida. E quantas incontáveis vezes se refaz tal pensamento cotidianamente...

"Eu deixo a vida como deixo o tédio
Do deserto o poento caminheiro
- Como as horas de um nobre pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;"
(Álvares de Azevedo)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

nada surpresa

Logo em seguida, entro no meu quarto, e estou às voltas daquela sensação, aquele cheiro de "nada me surpreende".

Estou de volta àquele lago imenso de tristeza enfiado no peito. Imersa, donde não enxergo as margens infinitas destas ondas malditas. Desta maré também maldita e infinita e incurável.

Comumente uma maré. Às vezes, azul.
Ora negra, ora branca. Ora norte ou sul.
Mas nunca amena. Sempre cheia e violenta.

reflexões e agradecimentos

Geralmente, o silêncio não faz parte da minha melhor conduta.
Arriscaria-me a dizer que o silêncio muitas vezes não faz parte
de conduta nenhuma minha. Por isso, no fim de mais um ano,
dedico-lhes algumas palavras.

Parece ser inerente a idéia de reflexão quando o ano chega ao fim.
Fazer o balanço. Fiz o que pude? Cumpri minhas promessas?...
Onde estavam mesmo minhas metas? Onde mesmo eu queria
chegar?Como é mesmo a história?

Prefiro crer que todo dia é dia de reflexão. É dia de mudar, de dar
o start. Qualquer dia é dia de (re)começar a dieta, de se arrepender,
de morrer por dentro e nascer de novo. É dia de arriscar, de se sentir
mais (in)seguro, e ser mais intenso. Diariamente esperar, e também
por isso, ter mais esperança.

A reflexão é uma imensidão de coisas, de sentimentos, de outros.
Outros tantos. É ao mesmo tempo um estopim para manifestos
extremos -uma impulsividade ansiosa -
e também inércia - sensação
de "pára tudo que eu preciso pensar".
Não é um esgotamento, não
é fim: é meio. Meio de aceitação, de
tentar compreender o
macro/mínimo.

A reflexão - ou a idéia dela - tem de ser cotidiana, e não "agendada".
Essa é a sua melhor forma. Não é algo a ser programado. Não ser
inerente só ao balanço com o fim de mais um ano. Deve ser um
balanço impregnado como uma obsessão qualquer - como
o eco
daquela música chata que não sai da sua cabeça assim
que você
acorda.

Bem, essa é só mais uma reflexão não menos cotidiana. Porém,
não menos importante do que as outras 358 passadas, e não mais
que as seis restantes, encerrando esse ano bissexto...

E o que eu tenho a lhes
dizer para somar a esta reflexão, meus
amigos? O quão foram, são e
sempre serão importantes
(e marcantes!) em minha vida... 2008 foi um ano de grandes
turbulências, mas segui confiante em que tudo tem seu tempo.
E vocês em grande parte me mostraram isso, que pode, e
deve, ser diferente: é escolha nossa.

Quero agradecer a cada capítulo do meu script que puderam
participar
. Uns mais, outros menos, mas todos com uma grande
intensidade quando o fizeram - para mim, isso é o que realmente
importa. Fiquem certos que todos contribuíram com o que sou
hoje.
Nem tentem se isentar da responsabilidade de terem me
feito mais
forte e sincera. Muito mais transparente e franca.

Agradeço de peito aberto àqueles que estiveram bem pertinho,
e
outros bem de longe torcendo por coisas positivas. Alguns
sempre
estarão em super close, enquanto alguns farão parte
de um plano
panorâmico. Algumas situações nunca mudarão...
mas assim mesmo tiramos proveito delas...

Agradecimentos especiais àqueles que mesmo chegando há
pouco, já se tornaram parte do meu fôlego. Um muito obrigada
àquele que se esforça em português - and I'm sorry for that!
Aos que mais
me estimulam na presença testemunhal dos
primeiros raios solares. A todos os que me servem de
inspiração
e me impulsionam - e não fazem a mínima idéia desse seu
poder - cada um do seu jeito, e com sua história.

Agradeço por toda a sinceridade, todos os elogios e críticas.
Por todas as lições, os abraços, as energias, as risadas.
Por toda a ajuda e compreensão do mundo.
Simplesmente, agradeço todos os dias pelo que vivi ao lado
de cada um, e o simples fato de terem um dia cruzado o
meu caminho já me considero uma pessoa de muita sorte.

Agradeço por terem me ajudado a rir mais, amar mais
e aproveitar sempre. Porque vocês sempre me lembram
que, nessa curta e passageira vida, os momentos
são inteiramente únicos.

Quero não somente agradecer, como pedir perdão por todas
as minhas faltas e incorreções. Para alguns, perdão pela
minha presença exaustiva, para uns minha ausência
extrema.
(Quem me conhece sabe que não consigo ser meio-termo...
Nem na presença, nem na ausência, nem no exagero das
minhas expressões e impressões...)

Obrigada por tudo ao longo dos anos, dos momentos e dos minutos,

Um abraço bem sincero, e um grande beijo,

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

alma de poeta


Ainda tenho um pouco dos grandes poetas, principalmente os portugueses: romance, exagero e plenitude. O romance dos ecoantes versos. O exagero do romantismo exacerbado. A plenitude do amor romântico, e surrealista. Do amor incontestável. Dos amores platônicos, do sofrer - e gostar do sofrer. A plenitude do poeta menos fingidor. E que a cada 5 minutos revisa seu vocabulário, em busca de expressões mais dramáticas, mais intensas, menos fúteis. Mas, não somente os grandes poetas são fingidores. Aqueles que apreciam poesia também o são. Imperfeitos ali, no amor em vão. Assim diriam os grandes poetas... a cada exatos (e impressionantes) 5 minutos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

surrealismo intrigante


Saí da realidade, e mergulhei no surrealismo. Estive lá, inteiramente (nada em mim é medíocre) imersa. Entorpecida por sorrisos, pelos momentos fáceis. Envaidecida por algumas, e indefinida por tantos. Flutuante no abismo daqueles que me atormentam com seu silêncio (crescentemente ensurdecedor), sua ausência nunca antes imaginável, a falta dos que nunca particaparam de mim.

Mas estou de volta. E já não apago apenas uma letra, e sim a frase por completo. Porque já me faltam boas palavras; dos bons argumentos e expressões raríssimas às coisas mais simples. Repito: não sou medíocre, espero pelas rimas mais raras. Já penso (mais que) duas vezes - na verdade sempre penso demais, para mais e para menos. Se escrevo, posso apagar. Mas continuo querendo o melhor. Esperando o melhor. Esperando. Sempre - ontem, hoje e amanhã. Já não me reconheço após tantas pausas, tanto enchimento passional, tanta inspiração - ou a falta que sinto dela. Da que nunca tive, da que nunca me possuiu.

Já não sei se é bom ou ruim. Se é certo ou errado. Nunca soube o que era não saber o que fazer. Mas o surrealismo, antes infinito, tem seus marcos. E a volta, a emersão, é tão sufocante como ouvir os meus próprios batimentos cardíacos. É ficar sem fôlego a cada virada súbita. Desmoronar em lágrimas não menos repentinas. É ser o que já não sou: uma dúvida intrigante.

dias não menos azuis


Parece que a cada esquina, em cada corredor, a cada virada, nós vamos novamente nos encontrar. Não sei que sensação é essa que me envolve - e não me move -, e não quer passar. Não é somente impressão. É real, é sentimento.
A vontade incessante de que cada rosto possa me trazer um pouco de você. Estamos tão longe, e te sinto tão acerca, tão absorto em mim. Mas essa sensação não é de vazio. É completa, e também complexa.
Eu quero poder escrever páginas e mais páginas. Pensar ainda mais em você, como uma surrealidade. É no mínimo perturbardor. Quero o mesmo ritmo frenético do meu coração. O mesmo descompasso desses derradeiros dias. A mesma intensidade do meu descontrole. Do desconcerto. Da falta de antecedentes e de referência.

E eu continuo a tentar preparar (reparar, ou até forjar) situações que nos façam desencontrar propositadamente. E que me traga ao coração aquele velho descompasso passional. É essa sede inevitável por um desencontro. Um luar, umas estrelas e um céu - qualquer cenário súbito. Por fim, existem referências: cheiros, sorrisos específicos, comportamentos, até a falta de compromisso.

Com ou sem antecedentes ou referências, o que interessa é que estaremos sempre despreparados para qualquer coisa subitamente passional. Sorrisos e atitudes não somente despreparados, mas desnecessários, a cada virada e desencontro: despreparados pelas esquinas, nos corredorres; multidões ou poucos rostos.