domingo, 23 de setembro de 2007

expresso


Um objeto. Uma brisa. Qualquer sábado à noite. Ela evita sinais. Mas, sabe que não pode, não quer, não consegue. Ela apenas continua andando aleatoriamente, porém sempre distante – como as verdes águas – na beirinha da calçada. Só nunca descalça. Respira fundo como se procurasse substituir a essência impregnada de outrora. Como se procurasse outras lembranças cheirosas, fingindo funcionar. Queria muito partir. A poeira de mar encanta e desfaz. Sua vontade, sua coragem. Despe. Insiste. Quer ouvir, falar, escrever. Expressar-se mais que o expresso extra-cafeinado. Ela quer mesmo é pegar na estação o primeiro expresso – o mais rapidamente saboroso – e degustar mais uma vez: a cafeína e a viagem.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

entreaberta

Ô, menina. Verde. Ei, menina do sapato apertado, que cresce a alma na dor e no sofrimento. Me disseram que você é quem escolhe. Me ouça, você pode escolher, sim, sem medo. O que você leva nessa mala pesada? Ou seria alma pesada? Conheço essa alma. Cuidado com sua alma de passarinho. A porta da gaiola está aberta, e ele só espera os bons ventos. Mas será que o penado pode ser mais feliz? Por que mais por quês se já se firmou vencedor? Deixe de tantas interrogativas. Você é atrevido, é de prerrogativas. No samba, nos olhos, no elevador: mesmo ao lado da maioria mal-educada. Está mesmo é do lado da minoria. Deixe assim. A portinhola entreaberta.

sábado, 15 de setembro de 2007

clarão


Dia após dia. Uma grande espera. Sempre. E parecia que era pra sempre. Pareciam dois anjos num sonho. Depois continuou parecendo que era pra sempre. Juntos no pôr-do-sol que eles não viram, mas sentiram cada raio partindo. O céu límpido e risonho, de nuvens poucas, de muitos contrastes. Uma vez pediram para ela aumentar o contraste. Nunca deu ouvido. Mas, naquela hora, quando o sol já estava cansado – fizera sua parte o dia inteiro –, ela finalmente entendeu. A neblina de seu cansaço também se foi com os últimos raios. Para ela, tudo ficou mais claro, mesmo o astro-rei tendo se retirado honrosa e elegantemente como sempre fazia. E naquela tarde fora diferente. Ela, enfim, percebeu. O sentido. Os sentidos. Exacerbaram-se. Nunca mais será a mesma. Horas depois... Ou será que foram dias? Multidão que ela nem esperava. Não há nada a fazer. É forte demais para ela lutar. Ela se entregou à maçã do amor, aos churros crocantes – regados a muito doce de leite e açúcar – e à pipoca doce. Após uma caminhada tão observadora (e, no mínimo, calórica), nada como acordar. Porém, ela continuará sonhando docemente como déjà-vus, e chorando com as canções de sempre. Que seja pra sempre, e amém. Um amém também nunca fez tanto sentido.

domingo, 9 de setembro de 2007

tanto bate até que fura

Às vezes a gente desiste. Está cansado. Perdeu a hora, chegou atrasado. Ou até foi pontual, mas esqueceu de bater o ponto. E que diferença faz? Há tantos motivos para ir, vir, ficar. Um. Outro. Mas as pessoas querem mesmo ser surpreendidas. Serem felizes. Estarem alegres a ponto de chorar. Choram mesmo. Não se incomodam em demonstrar seus sentimentos. A sinceridade, para eles, é uma virtude. E tanto bate até que fura. O coração mais surpreso: será difícil avaliar. Por isso, permita-se e aproveite. Para ser mais sincero. Mais amigo. Mais amável – e amado! A vida traça as rotas mais especiais para que possamos estar no lugar e na hora certas – mesmo que atrasados. Foram alguns segundos, outros dias, muitos anos, para se entender como tudo funciona assim. Tudo tão simples, nada substitui os detalhes. Recolher-se em seu íntimo e viver cada chance é mais do que essencial. É transcendental. Não deixe de atender à campainha do coração: sim, àquelas pequeninas explosões, quando bate forte – e, às vezes, fura. Mas se resolveu ficar um pouco mais confortável no sofá (é domingo?) ou apertou novamente o “soneca”, tudo bem. Porque de um jeito ou de outro(s): tanto bate até que fura. E lembre-se: hoje será o único dia 08 de setembro de 2007 de nossas vidas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

primogênito

Em primeira mão, trago aqui uns versos. E mais um universo de coisas. Uni.versos. Versos únicos. A vulnerabilidade dos seres - animados ou não - me atrai em seus mínimos detalhes. Observação não somente sobre outros, mas principalmente o lírico. O eu-lírico. Da mais intensa nuance, ao mais pálido rabisco. Venham versos e universos. Venham cantos de alegria, ou de tristeza, vem Marisa, vem Adri. Pois aqui é meu cantinho de tristeza, minha brisa do mar, meu piado de pinto de feira colorido (aqueles rosa "chock"). Aqui seremos livres. Livre deste e neste universo ao meu redor.