A gente se esforça para não sucumbir ao nossos papéis - quase deveres - sociais. Aos repetitivos comportamentos que nos inundam de ilusão, de uma falsa glória, um falso aconchego. A gente teima em mergulhar de cabeça para não lembrar de nós mesmos - e fugir de não sei quê -, e das decisões que temos de fazer para disfarçar o quão nos tornamos alheios. E a gente continua se esforçando para ser nem sei qual: e sucumbe!
E o medo de mostrar o que realmente somos - na tentativa insuficiente de administrar tantas identidades - novamente os papéis. Um dia aquela pequena narcisa percebeu a marca de catapora. A marca é de infância, faz parte dela; é da sua natureza não querer se livrar. Este pode ser um ponto crucial na história. Da natureza. De quem? De onde? Onde quer chegar com toda essa natureza: essa dissimulada naturalidade? Pensa ela que não se importa. Mas ela pensa também que pode ser diferente - ah, a arte da convivência! -, e acredita fiel e fidedignamente nisso.
E estou as voltas daquele tom nostálgico perfumado a despretensão. Daquele paralelo subentendido. A fraqueza intrínseca e abstrata é o que mais me revolta. Além de alheio, a antiga revolta pelo oculto esquecimento das perdas e ganhos. Lulu, você foi muito feliz com todo esse ostracismo romântico. Tudo é mesmo repugnante - a fraqueza, o abstrato, a forma aparentemente despretensiosa. Pode-se negar essa natureza? É, Lulu, você quase sempre tem razão. Mais ainda quando disse que a beleza é mesmo tão fulgás.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário