Será que só ela tem essa mania obssessivo-compulsiva por definições? Ela que se julga tão normal. Que acredita ter hábitos saudáveis - vê borboletas em qualquer fundo preto-e-branco. Que tem mania de achar que tudo é especial. Se ela perguntar a alguém o que gosta de fazer, apostaria na resposta sem quaisquer redundâncias: "gosto de ir a praia", gosto disso ou daquilo. Mas se alguém a pergunta o que gosta de fazer, diria com todas as reticências - afirmaram-na reticente... será? Ela, que se admirava tão incisiva... - "gosto da brisa do mar". Gosta das essências. Ela que em tudo vê alma.
Sempre com a reticência (dos) normais que lhe cabem, pensa na redundâcia como fluido vital dos seres humanos. Ela não é tão impossível quanto acredita ser. Ela faz parte do plano de autocorrosão no vácuo. A peste de si mesma. Sua figura (mais que im)própria é a indefinição. Sua descrença mais profunda. Uma representante de outras eras. Dos poetas de amores crônicos, dos amores impossíveis - vai ver ela é de fato a impossível de outrora -, dos poemas anacrônicos - de quando se morria por amor.
É. Quem sabe ter vindo de outras eras, outras quimeras. Desta idiossincrasia peculiar aos tempos de Romeu, e Julieta, e Orfeu, e Hamlet. Essa coisa arraigada de querer ser peculiar autenticamente exclusiva. Não, nem é tão redundante assim. É dantes perdida - não de hoje.
Por que essa mania de definição? Maldita seja essa ansiedade. De querer ver tudo na perfeita ordem. Ei, aí estão as incertezas. Você, rainha da incerteza. Matriarca de outros ventos inquisitores e anômalos sob sua própria natureza. Nebulosa e intensa natureza. Não se contentou apenas com a selva. Quer a relva, a régua, a reta. Quer tirar todas as possíveis medidas - as impossíveis também - para ter a certeza da incerteza.
Quer por pouco estar muito perto. Não se atreve a atravessar - veja que atrevida. Se compromete consigo mesma em suspirar de susto - um verdadeiro (auto)massacre. Quer sempre estar por um fio. Prometeram-na. E, assim, ela vive esse eterno retorno que um dia a fizeram acreditar que existisse.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
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Um comentário:
nossa. eu me vi em algumas passagens...
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